
Já é certo e sabido que os espumantes brasileiros têm vindo a marcar presença mundo a fora, porém os vinhos tintos deste país tropical também começam a merecer destaque, sobretudo os que são elaborados com a casta Merlot.
Recentemente, onze países produtores desta variedade defrontaram-se num dos mais conceituados concursos de vinho do mundo, o International Wine Challenge, realizado em Londres. Sob o aval de 40 juízes, oito vinhos brasileiros da variedade Merlot obtiveram uma pontuação que os colocou entre os dez melhores do mundo, superando famosos rótulos do Velho e Novo Mundo. Foram eles, por ordem alfabética:
- Cavalieri Pecato Merlot Reserva 2005;
- Don Laurindo Merlot Reserva 2005;
- Larentis Merlot Reserva Especial 2004;
- Michelle Carraro Merlot 2005;
- Milantino Merlot Reserva 2004;
- Miolo Merlot Terroir 2005;
- Pizzato Single Vineyard Merlot 2005;
- Vallontano Merlot Reserva 2005.
Para melhor compreensão da metodologia utilizada nesta prova, dever-se-á, no entanto, definir diversos parâmetros.
Primeiramente, é necessário diferenciar o vinho do tipo varietal, no qual 85% das uvas desse mesmo vinho deverão pertencer a uma casta apenas (neste caso Merlot). Para além deste fato e de modo que a comparação fosse justa, todas as amostras em avaliação foram delimitadas a um valor de no máximo R$45, correspondente ao preço de custo do importador.
Feitas as ressalvas, todavia ainda persiste uma questão... o que explica o êxito do Merlot brasileiro?
De fato, a Merlot, por ter um ciclo vegetativo mais curto, i.e., amadurece mais cedo, adaptou-se muito bem ao terroir de Vale dos Vinhedos, correndo assim menos riscos associados às chuvas no final do periodo de maturação, permitindo que seja colhida no seu apogeu, no seu ponto ideal de maturação. Nestas condições, produz um vinho de sabor macio e frutado.