
O dia começou bem. Era sábado e tinha uma agenda cheia. Passaria o dia na fundação onde trabalho cumprindo compromissos especiais.
Às 10h00 tivemos uma cerimônia de novos membros que reuniu várias pessoas e só terminou após as 11h00. Em seguida preparei alguns relatórios e atendi um senhor numa entrevista que durou uma hora.
Como não teria muito tempo para o almoço, levei uma refeição leve que consumi na cantina que há na área externa da própria fundação.
No meio da tarde tivemos aula de Ikebana. Foram duas horas de aprimoramento do olhar e dos sentimentos através da prática da flor.
Para encerrar o dia, mais uma cerimônia especial às 17h00 que reuniu muitas pessoas e também foi muito emocionante.
Às 18h30 eu estava exausta, mas feliz. Tudo tinha sido tão bom! Mas, não via a hora de chegar em casa e descansar. Foi nesse último instante que a situação se transformou.
Antes de sair fui até a pequena copa que há entre as salas de reunião para pegar o recipiente que havia usado para trazer minha refeição e não o encontrei onde havia deixado.
Uma outra funcionária foi logo dizendo: "Levei para a cantina!". Ao ouvir isso senti uma fisgada por dentro e decidi não falar nada. Fui até a cantina, mas, para piorar, não encontrei o potinho que procurava.
Voltei para dentro e disse de sopetão: "Ele não está lá. Quando voce o encontrar, voce me devolve, por favor!". E saí emputecida.
Esbaforida ela veio atrás de mim falando alto: "Ele está lá sim!". Ignorei. Ela correu até a cantina e eu fui para a recepção. Antes de sair ela me alcançou com o pequeno pote na mão. Ignorei novamente. Ela o deixou sobre uma mesa próxima e voltou para dentro resmungando.
Desnecessário descrever os pensamentos que nutri por aquela pessoa durante o percurso até chegar em casa.
Após um banho quente demorado fui remoendo os fatos e me dei conta que permiti que seu gesto infeliz fosse suficiente para fazer desmoronar todo o delicioso Mont Blanc que tinha sido meu dia.
Também reconheci que a vida quis testar meu estado de comunhão com o bem e com a paz e eu dancei!
Meu orgulho foi mais forte e meu ego cresceu no momento em que alguém se atreveu a mexer no meu potinho. Foi então que vi que tudo tinha sido uma pegadinha, o pote era uma armadilha!